IPB Morada da Serra
História da Igreja Presbiteriana do Brasil

HISTÓRIA DO PRESBITERIANISMO NO BRASIL

Introdução:
Comemoramos no dia 12/08/2010, 151 anos de IPB no Brasil. Outro nome que se dá à fé presbiteriana é "Fé Reformada", devido à nossa ligação histórica com o movimento iniciado na Suiça com Ulrich Zuínglio, em Zurique (1519) e mais especificamente com João Calvino, a partir de 1534, em Genebra.

I. Primórdios do Movimento Reformado no Brasil

1. A França Antártica 1555 - 1567
De 1555 a 1567, um grupo de franceses liderados por Nicolas Durand de Villegagnon fundou a França Antártica em uma das ilhas da Baía da Guanabara. Em 1557, chegaram colonos huguenotes e dois pastores reformados enviados pelo próprio João Calvino, em resposta a um pedido de Villegagnon. No dia 10/03/1557 foi realizado o primeiro culto protestante do Brasil, e possivelmente das américas. Devido a desavenças teológicas entre Villegagnon e os calvinistas, cinco deles foram presos e forçados a escrever uma declaração de suas convicções (Confissão de Fé da Guanabara). Três deles foram martirizados.

2. O Brasil Holandês (1630-1654)
No contexto da guerra contra a Espanha, a Companhia das índias Ocidentais ocupou o nordeste brasileiro por vinte e quatro anos (1630-1654). O mais famoso governante do Brasil holandês foi o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, que aqui esteve por apenas sete anos (1637-1644). Havia tolerância religiosa para com católicos e judeus, Foram criadas 22 igrejas e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Além da assistência aos colonos europeus, a igreja reformada fez um notável trabalho missionário com os indígenas. Expulsos os holandeses, as igrejas nativas extinguiram-se.

3. O Protestantismo de Imigração
Após a vinda da família real para o Brasil, Portugal e Inglaterra firmaram, em 1810, um Tratado de Comércio e Navegação, cujo artigo XII, concedeu liberdade religiosa aos imigrantes protestantes. Em 1819 foi inaugurado o primeiro templo protestante no Brasil, da igreja anglicana inglesa. Em 1827, a Comunidade Protestante Alemã-Francesa,
Os Poucos pastores reformados ou presbiterianos que vinham limitaram suas atividades aos estrangeiros. O Rev. James Cooley Fletcher, escreveu o livro O Brasil e os Brasileiros, publicado em 1857. Por meio de seus contatos com políticos e intelectuais brasileiros, contribuiu indiretamente para a introdução do protestantismo no Brasil. Foi por sua sugestão que o missionário congregacional inglês Robert Reid Kalley veio para o Brasil em 1855.

II. História da Igreja Presbiteriana do Brasil
A história da Igreja Presbiteriana do Brasil divide-se em períodos bem definidos.

1. Implantação (1859-1869)
O Fundador do presbiterianismo no Brasil foi o Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867). Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, Simonton Influenciado por um reavivamento em 1855, fez a sua profissão de fé e, pouco depois, ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles Hodge (15/10/1855), levou-o a considerar o trabalho missionário no estrangeiro. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.
Em 22/04/1860, Simonton dirigiu o sua primeira escola Dominical em português. Em 12/01/1862, recebeu os primeiros conversos, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro periódico evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o Presbitério do Rio de Janeiro (1865), organizou um seminário (1867) e fundou uma escola paroquial (1867). O Rev. Ashbel Simonton morreu vitimado pela febre amarela ("febre biliosa") aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes, por complicações no parto, sua filha foi batizada com o nome da mãe).
Os principais colaboradores de Simonton naquele período foram seu cunhado Alexander L. Blackford, que em 1865 organizou as Igrejas de São Paulo e Brotas; Francis J. C. Schneider, que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro, lecionou no seminário do Rio e foi missionário na Bahia; e George W. Chamberlain, grande evangelista e operoso pastor da Igreja de São Paulo. Os quatro únicos estudantes do "seminário primitivo" foram eficientes pastores: Antonio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa e Antonio Pedro de Cerqueira Leite.
Poucas igrejas foram organizadas no primeiro decênio (Lorena, Borda da Mata (Pouso Alegre) e Sorocaba). O homem que mais contribuiu para a criação dessas e outras igrejas foi o notável Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873), um ex-sacerdote católico romano, que se tornou o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do evangelho (16/12/1865). Conceição visitou a pé incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando o evangelho da graça.

2. Consolidação (1869-1888)
Simonton e seus companheiros eram todos da Igreja Presbiteriana do norte dos Estados Unidos (PCUSA). Em 1869 chegaram os primeiros missionários da igreja do sul (PCUS): George Nash Morton e Edward Lane. Eles fixaram-se em Campinas. Em 1870, Morton e Lane fundaram a igreja de Campinas e, em 1873, o efêmero Colégio Internacional. Os missionários da PCUS evangelizaram a região da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás. O pioneiro em várias dessas regiões foi o incansável Rev. John Boyle, falecido em 1892 (febre amarela).
Os obreiros da PCUS foram também os pioneiros presbiterianos no nordeste e norte do Brasil (de Alagoas até a Amazônia). Os principais foram John Rockwell Smith, Recife (1878); DeLacey Wardlaw, Fortaleza; e o Dr. George W. Butler, o "médico amado" de Pernambuco.
Os missionários da Igreja do norte dos Estados Unidos passaram atuar também na Bahia e Sergipe, (Schneider e Blackford). Paraná (Robert Lenington e George A. Landes). Na capital paulista, o casal Chamberlain fundou em 1870 a Escola Americana, que mais tarde veio a ser o Mackenzie College. No interior de São Paulo, destacou-se o português Rev. João Fernandes Dagama. No Rio Grande do Sul, Rev. Emanuel Vanorden.
Entre os novos pastores "nacionais" desse período estavam Eduardo Carlos Pereira, José Zacarias de Miranda, Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira, João Ribeiro de Carvalho Braga e Caetano Nogueira Júnior. Algumas notáveis missionárias educadoras como Mary Parker Dascomb, Elmira Kuhl, Nannie Henderson e Charlotte Kemper.

3. Dissensão (1888-1906)
Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil. O Sínodo compunha-se de três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco) e tinha vinte missionários, doze pastores nacionais e cerca de sessenta igrejas. O primeiro moderador foi o veterano Rev. Blackford.
Nesse período, a denominação expandiu-se grandemente. O seminário começou a funcionar em Nova Friburgo, no final de 1892, e no início de 1895 transferiu-se para São Paulo, tendo à frente o Rev. John Rockwell Smith. O Mackenzie College ou Colégio Protestante foi criado em 1891, sendo seu primeiro presidente o Dr. Horace Manley Lane. Por causa da febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido de Campinas para Lavras, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, numa homenagem ao seu grande líder, o Rev. Samuel R. Gammon (1865-1928).
A primeira escola evangélica do nordeste foi o Colégio Americano de Natal (1895), fundado por Katherine H. Porter, esposa do Rev. William C. Porter. Na mesma época, Garanhuns tornou-se um grande centro da obra presbiteriana. Além do trabalho evangelístico, foram lançadas as bases de duas importantes escolas: O Colégio Quinze de Novembro e o Seminário do Norte, hoje sediado em Recife. No final desse período, além de estar presente em todos os estados do nordeste, a Igreja Presbiteriana chegou ao Pará e ao Amazonas.
Na década de 1890 alcançou-se Santa Catarina (São Francisco do Sul e Florianópolis) e o leste de Minas (Rev. Matatias Gomes dos Santos - Alto Jequitibá - 1901). As igrejas de São Paulo e do Rio de Janeiro passaram a ser pastoreadas por dois grandes líderes, respectivamente Eduardo Carlos Pereira (1888) e álvaro Emídio G. dos Reis (1897).
Infelizmente, os progressos desse período foram em parte ofuscados pela grave crise que se abateu sobre vida da igreja, causando o cisma de 1903

  1. diferença de prioridades entre o Sínodo e a Junta de Missões de Nova York. O Sínodo queria apoio para a obra evangelística e para instalar o Seminário, ao passo que a Junta preferia dar ênfase à obra educacional, principalmente por meio do Mackenzie College.
  2. Desentendimentos entre o pastor da Igreja Presbiteriana de São Paulo, Rev. Eduardo Carlos Pereira, e os líderes do Mackenzie, Horace M. Lane e William A. Waddell.
  3. A Plataforma de 1902, com cinco tópicos sobre as questões missionária, educativa e maçônica. Em 31 de julho de 1903, durante a reunião do Sínodo, após serem derrotados em suas propostas, Eduardo Carlos Pereira e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a Igreja Presbiteriana Independente.

No início de agosto/1903, os independentes organizaram o seu presbitério, com quinze presbíteros e sete pastores. Seguiu-se um triste período de divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades, litígios judiciais. Uma pastoral do Presbitério Independente chegou a vedar aos sinodais a Ceia do Senhor. O período mais conflitivo estendeu-se até 1906. Em 1915 as duas igrejas puseram fim às hostilidades e passaram a cooperar entre si, porém sem se fundirem outra vez.

4. Reconstituição (1903-1917)
Nessa época, o Sínodo contava com 77 igrejas e cerca de 6.500 membros; em 1907,
Em 1907, o seminário foi transferido para Campinas. A primeira turma de Campinas só se formou em 1912. Entre os formandos estavam Herculano de Gouvêa Jr., Miguel Rizzo Jr. e Paschoal Luiz Pitta. Mais tarde viriam Guilherme Kerr, e José Carlos Nogueira.
A obra presbiteriana alcançou o Espírito Santo, São José do Calçado, e o Vale do Ribeira, de onde veio a família Vassão.
Em 1907, o Sínodo dividiu-se em dois (Norte e Sul) e em 1910 foi organizada a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil. O moderador do último sínodo e instalador da Assembléia Geral foi o veterano Modesto Carvalhosa, ordenado 40 anos antes. O primeiro moderador da Assembléia Geral foi o Rev. álvaro Reis da I. P. do Rio de janeiro. Na época, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha 10 mil membros comungantes, outro tanto de menores e cerca de 150 igrejas em sete presbitérios. As demais denominações tinham os seguintes números: metodistas: 6 mil membros; independentes: 5 mil; batistas: 5 mil; e episcopais: cerca de mil.
Em 1911, a IPB enviou a Portugal seu primeiro missionário, Rev. João da Mota Sobrinho, que lá permaneceu até 1922. A obra presbiteriana no Mato Grosso começou nesse período através dos missionários Franklin Graham (1913) e Filipe Landes (1915).
Em 1917, foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a igreja brasileira e as missões norte-americanas, pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando-se os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões.

5. Cooperação (1917-1932)
O maior líder presbiteriano desse período foi o Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932), professor do Seminário e secretário da Assembléia Geral. Em 1916, participou do Congresso de Ação Cristã na América Latina, no Panamá. Poucos anos depois foi secretário da Comissão Brasileira de Cooperação, entidade que liderou um grande esforço cooperativo entre as igrejas evangélicas do Brasil na década de 1920. As principais áreas de cooperação foram literatura, educação cristã e educação teológica. Foi fundado no Rio de Janeiro o Seminário Unido, que existiu até 1932.
Outros esforços cooperativos foram: (1) Instituto José Manoel da Conceição, fundado pelo Rev. William A. Waddell (1928); (2) Associação Evangélica de Catequese dos índios (1928), Missão Evangélica Caiuá (Rev. Albert S. Maxwell - Dourados-MS) num esforço cooperativo das igrejas presbiteriana, independente, metodista e episcopal.
Em 1921, o Seminário do Norte foi transferido para o Recife. As principais instituições educacionais das missões eram o Colégio Agnes Erskine (Recife); Colégio 15 de Novembro (Garanhuns); Escola de Ponte Nova (Bahia); Colégio 2 de Julho (Salvador); Instituto Gammon (Lavras); Instituto Cristão (Castro-PR) e principalmente o Mackenzie College. Os principais periódicos presbiterianos eram O Puritano e o Norte Evangélico. Nesse ano, morreu o Rev. Antonio Bandeira Trajano. Pondo fim à primeira geração de obreiros presbiterianos no Brasil, os da década de 1860.
Em 1924, a Assembléia Geral encerrou o trabalho missionário em Lisboa. No mesmo ano, Erasmo Braga e alguns amigos fundaram a Sociedade Missionária Brasileira de Evangelização em Portugal, que enviou àquele país o Rev. Paschoal Luiz Pitta e sua esposa Odete. O casal ali esteve por quinze anos (1925-1940), regressando ao Brasil devido à constante falta de recursos.

6. Organização (1932-1959)
Nas décadas de 1930 a 1950, a IPB a fim de aperfeiçoar a sua estrutura, criou entidades voltadas para o trabalho feminino, mocidade, missões nacionais e estrangeiras, literatura e ação social. O período terminou com a comemoração do centenário do presbiterianismo no Brasil.
As missões norte-americanas continuaram o seu trabalho: (1) PCUS: (a) Missão Norte: atuou no nordeste, onde o principal obreiro foi o Rev. William Calvin Porter (†1939); o campo mais importante era o de Garanhuns, (b) Missão Leste: atuou no oeste de Minas e depois em Dourados, Mato Grosso, cuja igreja foi organizada em 1951. (c) Missão Oeste: concentrou-se mais no Triângulo Mineiro e Goiás, onde o casal Edward e Mary Lane fundou em 1933 o Instituto Bíblico de Patrocínio. (2) PCUSA: (a) Missão Central: seus principais campos eram Ponte Nova/Itacira, a bacia do Rio São Francisco, o sul da Bahia e o norte de Minas.; (b) Missão Sul: atuou no Paraná e Santa Catariana, fundindo-se com a Missão Central por volta de 1937. O Rev. Dr. Donald Gordon, que fundou o hospital de Rio Verde-GO.
Trabalho feminino: as primeiras sociedades de senhoras surgiram em 1884-85 e as primeiras federações, na década de 1920. O primeiro congresso nacional reuniu-se na I. P. Riachuelo, no Rio de Janeiro, em 1941. A SAF em Revista foi criada em 1954.
Mocidade: Benjamim Moraes Filho foi o primeiro secretário do trabalho da mocidade, em 1938. O primeiro congresso nacional reuniu-se em Jacarepaguá em 1946, quando foi criada a confederação.
Missões Nacionais: Em 1940 foi organizada Junta Mista de Missões Nacionais, que até 1958, ocupou quinze regiões em todo o Brasil, tendo cerca de 150 locais de pregação. Em 1950 criou-se a Missão Presbiteriana da Amazônia.
Missão em Portugal: os primeiros obreiros foram João da Mota Sobrinho (1911-1922) e Paschoal Luiz Pitta (1925-1940). Em 1944 a IPB assumiu o trabalho e foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, com o apoio das igrejas norte-americanas. Os primeiros missionários foram Natanael Emerique, Aureliano Lino Pires, Natanael Beuttenmuller e Teófilo Carnier.
Outras organizações: (a) Casa Editora (1945), (b) Orfanatos: Instituto álvaro Reis (1929). (c) Conselho Interpresbiteriano (CIP): foi criado em 1955 para superintender as relações da IPB com as missões e as juntas missionárias dos Estados Unidos. Tinha mais autoridade que o modus operandi de 1917.
Constituição da IPB: em 1924, foram aprovadas pequenas modificações no antigo Livro de Ordem adotado quando da criação do Sínodo, em 1888. Em 1937, entrou em vigor a nova Constituição da Igreja, sendo criado o Supremo Concílio. Houve protestos do norte contra alguns pontos: diaconato para ambos os sexos, "confirmação" em vez de "profissão de fé" e o nome "Igreja Cristã Presbiteriana." Em 1950, foi promulgada um nova Constituição e no ano seguinte o Código de Disciplina e os Princípios de Liturgia.
Estatística: em 1957, a IPB contava com seis sínodos, 41 presbitérios, 489 igrejas, 883 congregações, 369 ministros, 127 candidatos ao ministério, 89.741 membros comungantes e 71.650 não-comungantes.
A Campanha do Centenário foi lançada em 1946, tendo como objetivos: avivamento espiritual, expansão numérica, consolidação das instituições da igreja, afirmação da fé reformada e homenagem aos pioneiros. O lema do centenário foi: "Um ano de gratidão por um século de bênçãos."

7. A Atualidade.
No período de 1960 a 1986 a IPB viveu uma crise sem precedentes, fazendo com que perdesse a liderança no crescimento das igrejas evangélicas do país. São exemplos: A crise de 1967, quando quase se perdeu o Instituto Mackenzie para o governo militar; a expulsão de vários pastores por seu envolvimento com o liberalismo teológico (João Dias de Araújo e Ruben Alves). Em 1973 a IPB rompeu relações com a PCUSA e em 1983 com a PCUS devido seu liberalismo e a questão homossexual. Em 1986, tornou-se um grande evangelista nacional o Pr. Caio Fábio, que desafiou a igreja a tomar um novo ímpeto de crescimento. Nossa geração de pastores vive um reflexo do que foi o seu ministério.
Atualmente a IPB está enfrentando pressões de dois lados. Os Neo-Puritanos, que desejam uma igreja extremamente conservadora e os neo-pentecostalismo, que desejam uma igreja totalmente aberta às novas tendências religiosas e liberais.

Conclusão:
Como podemos enfrentar essas crises e voltar a ter o crescimento do passado? O que podemos aprender com a nossa história?
Atividade litúrgica. é perfeitamente possível termos uma liturgia que reúna o que há de melhor na tradição reformada e na cultura do nosso tempo. No século 19, tivemos grandes compositores presbiterianos como os missionários James Theodore Houston e John Boyle e o Rev. Manoel Antônio de Menezes. Precisamos formar uma nova geração de compositores que não defendam a balbúrdia litúrgica que existe em tantas igrejas atuais, que não se presta para criar uma atmosfera de comunhão com Deus. Todavia, temos de admitir que muitos de nossos hinos soam estranhos aos ouvidos de hoje, por causa da melodia, do ritmo e do vocabulário. Muitos desses hinos são tremendamente tristes, melancólicos, não expressam a alegria da vida cristã, a celebração das bênçãos de Deus. Ao invés de simplesmente condenar os corinhos (tantas vezes pobres em sua letra e música), devemos incentivar nossos compositores a produzirem cânticos que expressem a alegria da vida cristã e a vibração da nossa cultura, mas que ao mesmo tempo sejam sólidos em seu conteúdo bíblico e teológico.
A expansão da igreja. Havia a preocupação constante não só de consolidar os locais já ocupados, mas de buscar incessantemente novos campos para a pregação do evangelho e a plantação de igrejas. Para isso se investiu muito em termos de recursos e pessoal. Apesar de ter sido gerada pelas missões, a nossa igreja atualmente não é uma igreja missionária. é preciso que os nossos líderes mobilizem a igreja em torno dessa grande prioridade, com coragem e sabedoria.
A preparação dos nossos obreiros. Os homens e mulheres que vieram para o Brasil como missionários no século 19 eram pessoas dotadas de uma educação esmerada, tanto secular como religiosa, e preocuparam-se desde o início em formar líderes bem treinados para a igreja nascente. Os pastores nacionais que estudaram aos pés de mestres como George W. Chamberlain, John B. Howell, Donald C. McLaren e William A. Waddell (da Igreja do Norte), bem como George Nash Morton, Edward Lane, John Rockwell Smith, Samuel R. Gammon e George E. Henderlite (da Igreja do Sul), tornaram-se eficientes pastores e líderes do presbiterianismo brasileiro. Essa preocupação também se expressou com a criação do Seminário Presbiteriano (1888), do Seminário do Norte (1899), do Instituto Bíblico de Jaú (1887), pelo Rev. J. B. Howell, e o Instituto Ponte Nova (1906), pelo Rev. William A. Waddell, soluções simples e inteligentes para as necessidades da época.
Hoje, verifica-se através do país uma diversidade tão grande de práticas e ênfases teológicas nas nossas igrejas, a ponto de se colocar em dúvida a identidade e os rumos da denominação. Precisamos refletir com carinho e agir com energia quanto a essa questão fundamental, tomando decisões sábias e inovadoras como o fizeram os nossos primeiros.
A educação e a cultura. Nossos fundadores deram prioridade máxima à evangelização e à plantação das igrejas, mas isso não os impediu de atuarem em outras áreas importantes para a cosmovisão reformada. Em quase todas as regiões do país, os presbiterianos criaram boas escolas, algumas de grande porte, como a Escola Americana (São Paulo, Curitiba), o Colégio Internacional (Campinas), o Instituto Gammon (Lavras), o Colégio Agnes Erskine (Recife) e o Colégio 15 de Novembro (Garanhuns). Muitos pastores que estudaram ou trabalharam nessas instituições deram relevantes contribuições à sociedade na área intelectual. Alguns exemplos conhecidos são os Revs. Antônio Trajano (livros didáticos de matemática), Eduardo Carlos Pereira (compêndios de gramática), Modesto Carvalhosa (escrituração mercantil), Erasmo Braga (cartilhas da Série Braga) e muitos outros. E hoje, Precisamos formar uma nova geração de reformados brasileiros que atuem decisivamente na política, nas universidades, nas artes cênicas, na comunicação, na música, nas organizações sociais.

Fonte: História da Igreja - "Esboço da História da IPB" (Rev. Hélio de Oliveira Silva). Data: 15/08/2004.

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